IP/09/ 1884 Bruxelas, 7 de Dezembro de 2009 Auxílios estatais: painel de avaliação revela forte aumento dos auxílios em resposta à crise financeira, mas o mercado único mantém-se intacto O último Painel de Avaliação dos Auxílios Estatais da Comissão Europeia revela que a crise financeira contribui para um acentuado aumento do volume global dos auxílios concedidos, que passaram de 66,5 mil milhões de EUR ou 0,52% do PIB da UE-27 em 2007 para 279,6 mil milhões de EUR ou 2,2% do PIB em 2008. Excluídas as medidas tomadas no contexto da crise, em 2008 o montante total dos auxílios cifrou-se em 67,4 mil milhões de EUR, ou seja, em 0,54% do PIB. A intervenção atempada e coordenada por parte dos Estados-Membros e da Comissão contribuiu para salvaguardar a estabilidade financeira. Além disso, a política da Comissão Europeia em matéria de auxílios estatais foi um dos elementos-chave que contribuiu para esta situação, tendo assegurado que o processo de recuperação – globalmente bem-sucedido - se desenrolasse de forma coordenada. A Comissão autorizou a aplicação rápida de medidas de apoio sem precedentes, mas garantiu simultaneamente que o mercado único não fosse perturbado por distorções da concorrência desproporcionadas. Os auxílios não relacionados com a crise mantiveram-se, em termos gerais, estáveis e continuam a ser norteados por objectivos de interesse comum. A Comissária responsável pela Concorrência, Neelie Kroes, teceu os seguintes comentários: «Nos últimos 14 meses, medidas de emergência sem precedentes permitiram à Europa estabilizar os mercados financeiros e contribuíram para lançar os alicerces do processo de retoma. A apreciação rápida destes auxílios e o controlo estrito da sua utilização permitiram‑nos garantir que os auxílios estatais fossem parte da solução da crise. Iniciamos actualmente a fase de reestruturação do sistema bancário, tendo já tomado as primeiras decisões importantes neste contexto como, por exemplo, as relativas ao KBC, ao ING, ao Lloyds, ao Fortis e ao Commerzbank. Em 2009, autorizámos igualmente auxílios adicionais à economia real, a fim de comp ensar a contracção do crédito. Congratulo-me com o facto de os Estados-Membros, não obstante a conjuntura difícil, terem mantido a disciplina a nível dos auxílios estatais e prosseguido os seus esforços no sentido de reorientar os auxílios a favor de objectivos horizontais de interesse comum, tais como a investigação. Deste modo, auxílios bem orientados deverão continuar a contribuir para o processo de retoma económica.» Auxílios destinados a superar a crise financeira A acção coordenada por parte dos Estados-Membros e da Comissão, bem como a introdução de regras específicas no contexto da crise permitiram a aplicação rápida de regimes de auxílio e de medidas pontuais que não comprometem a igualdade das condições de concorrência na UE. O montante global dos apoio associados à crise, disponibilizado pelos Estados‑Membros e aprovado pela Comissão em 2008, ascendeu a 3361 mil milhões de EUR. O montante nominal do apoio efectivamente concedido pelos Estados-Membros em 2008 foi muito inferior, tendo-se cifrado em 958 mil milhões de EUR. Estima-se que, em relação a este montante, o elemento de auxílio estatal se eleve a 212,2 mil milhões de EUR, ou seja, a 1,7% do PIB da UE-27. O elemento de auxílio é significativamente inferior ao montante nominal, nomeadamente porque o elemento de auxílio contido nas garantias estatais constitui normalmente apenas uma fracção reduzida dos montantes garantidos. Além disso, as despesas orçamentais efectivas só se materializam quando uma garantia estatal é activada. Os Estados-Membros prosseguem esforços no sentido de reorientar os auxílios para objectivos horizontais Se exceptuarmos as medidas de resposta à crise financeira, os Estados-Membros têm vindo a prosseguir os seus esforços com vista a reorientar os auxílios para objectivos horizontais de interesse comum. Cerca de 88% dos auxílios aos sectores industrial e dos serviços visa actualmente objectivos horizontais de interesse comum, enquanto os auxílios de emergência e à reestruturação concedidos fora do contexto da crise registaram uma quebra. Em especial, a Comissão observa que tem vindo a ser colocada uma maior tónica nos auxílios com finalidade regional e nos auxílios à investigação, ao desenvolvimento e à inovação o que, por seu turno, deverá promover novas oportunidades em termos de crescimento do emprego no futuro. Simplificação e flexibilidade As reformas decorrentes do Plano de Acção no domínio dos auxílios estatais 2005‑2008 (ver IP/05/680 ) continuam a dar os seus frutos. Novas isenções no que respeita à apreciação ex ante pela Comissão, quer ao abrigo do Regulamento de minimis (ver IP/06/1765 ), quer do Regulamento geral de isenção por categoria recentemente adoptado (ver IP/08/1110 ), têm vindo a reduzir os encargos administrativos sem afectar a igualdade das condições de concorrência. Em termos de volume de auxílio, cerca de 19% dos auxílios é concedido ao abrigo de isenções por categoria. Por outro lado, 76% dos auxílios estatais são apreciados pela Comissão ao abrigo de regimes de auxílio. Tais regimes ou programas, uma vez aprovados pela Comissão, permitem que os Estados-Membros concedam auxílios a um número elevado de beneficiários sem nova apreciação por parte da Comissão. As medidas objecto de uma apreciação individual a nível do beneficiário representam apenas 5% do volume global de auxílios, o que confere aos Estados‑Membros um grau de flexibilidade elevado, enquanto os critérios de compatibilidade permitem salvaguardar o mercado único. Aplicação da legislação O Painel de Avaliação regista novos progressos a nível da recuperação dos auxílios ilegais e incompatíveis. No final de Junho de 2009, haviam sido efectivamente recuperados 9,4 mil milhões de EUR. Somente 9% dos auxílios ilegais continua por recuperar, o que significa que 91% do montante total dos auxílios ilegais e incompatíveis foi efectivamente reembolsado pelos respectivos beneficiários, em comparação com uma taxa de apenas 25% no final de 2004. O Painel de Avaliação, juntamente com o seu Anexo «Factos e dados relativos aos auxílios estatais nos Estados-Membros da UE» e um conjunto de quadros estatísticos e indicadores pormenorizados respeitantes a todos os Estados‑Membros, pode ser consultado no seguinte sítio Web EUROPA: http://ec.europa.eu/comm/competition/state_aid/studies_reports/studies_reports.html Ver igualmente MEMO/09/540 . Montante total de auxílio em % do PIB (UE-27); dados a partir de 1992 Figures and graphics available in PDF and WORD PROCESSED Menos auxílios mas mais bem orientados: principais dados (excluindo as medidas de resposta à crise) Auxílio estatal em mil milhões de EUR, 2008 Auxílio estatal em % do PIB, 2008 Evolução da proporção de auxílios face ao PIB, 2003-2008 em pontos percentuais do PIB (1) Montante total de auxílio estatal, excluindo sector ferroviário Montante total de auxílio estatal aos sectores industrial e dos serviços (ou seja, excluindo a agricultura, pescas e transportes) Montante total de auxílio estatal, excluindo o sector ferroviário Montante total de auxílio estatal aos sectores industrial e dos serviços (ou seja, excluindo agricultura, pescas e transportes) Montante total de auxílio estatal, excluindo o sector ferroviário Montante total de auxílio estatal aos sectores industrial e dos serviços Proporção de auxílios afectado a objectivos horizontais em % da totalidade dos auxílios aos sectores industrial e dos serviços, 2008 Evolução da proporção de auxílio s afecta- do s a objecti- v os horizontais em % do mon- tante total de auxílios 2003 - 2008 (1) UE 27 67,.4 52,9 0,54 0,42 -0,05 -0,05 88 10,8 UE 15 57,1 45,8 0,50 0,40 -0,03 -0,02 88 4,3 UE 12 10,3 7,1 1,05 0,72 -0,46 -0,50 87 48,1 Bélgica 1,6 1,2 0,46 0,36 0,08 0,09 99 -1,0 Bulgária 0,4 0,0 1,30 0,12 0,60 -0,20 91 38,4 República Checa 1,4 1,2 0,97 0,78 -0,47 -0,51 94 65,3 Dinamarca 1,9 1,7 0,0 0,71 0,01 0,02 94 1,2 Alemanha 15,7 14,2 0,63 0,57 -0,09 -0,08 87 7,5 Estónia 0,0 0,0 0,29 0,09 0,00 -0,02 100 0,0 Irlanda 1,9 0,7 1,05 0,38 0,30 0,06 84 11,4 Grécia 1,0 0,8 0,42 0,33 -0,04 0,06 98 1,5 Espanha 5,2 4,4 0,48 0,40 -0,02 -0,04 79 8,1 França 10,3 7,6 0,53 0,39 -0,04 -0,01 96 18,7 Itália 5,5 4,5 0,35 0,29 -0,07 -0,06 85 -10,4 Chipre 0,1 0,1 0,65 0,47 -1,12 -0,90 95 61,1 Letónia 0,2 0,0 0,88 0,20 0,32 0,03 100 10,1 Lituânia 0,3 0,2 0,82 0,53 0,18 0,10 100 54,2 Luxemburgo 0,1 0,1 0,20 0,15 -0,11 -0,04 100 0,0 Hungria 2,5 1,9 2,38 1,81 -0,10 0,21 81 19,0 Malta 0,1 0,1 2,00 1,74 -0,78 -0,86 2 -2,1 Países Baixos 2,2 1,5 0,36 0,25 -0,04 0,03 98 3,0 Áustria 1,3 1,1 0,46 0,38 0,06 0.07 99 -20,7 Polónia 3,7 2,9 1,02 0,80 -0,84 -0.82 93 67,1 Portugal 1,6 1,5 0,93 0,92 0,15 0.19 16 -3,5 Roménia 0,9 0,3 0,64 0,18 -0,55 -0.99 53 15,6 Eslovénia 0,2 0,2 0,66 0,47 -0,10 -0.09 89 8,7 Eslováquia 0,4 0,3 0,53 0,42 -0,04 -0.07 84 21,1 Finlândia 2,1 0,8 1,13 0,44 -0,13 0.02 98 -0,2 Suécia 3,0 2,7 0,92 0,82 0,15 0.16 100 -0,3 Reino Unido 3,8 3,1 0,21 0,17 -0,04 -0.02 91 -4,8 Noruega 2,3 1,7 0,74 0,56 N.d. (2) N.d. N.d. N.d. Islândia 0,02 0,02 0,21 0,21 N.d. N.d. N.d. N.d. Liechtenstein 0,001 0,001 0,03 0,03 N.d. N.d. N.d. N.d. Nota: os dados abrangem todas as medidas de auxílio estatal conforme definidas no artigo 87.º, n.º 1, do Tratado CE, concedidos pelos Estados-Membros e examinados pela Comissão. As regras comunitárias aplicáveis às políticas nos sectores agrícola e das pescas não são abrangidas pelo Acordo EEE. Por conseguinte, os auxílios a estes sectores não são incluídos para os países da EFTA . (1) Variação dos pontos percentuais entre a média annual de 2003-2005 e 2006-2008. Fonte: DGs Concorrência, Energia e Transportes, Agricultura, Assuntos Marítimos e Pescas e Órgão de Fiscalização da EFTA. (2) Não disponível. Auxílios estatais relacionados com as medidas de resposta à crise (2008; dados em mil milhões de EUR)   Volume total aprovado em 2008 Volume total aprovado 1.1. - 31.03.2009 Volume total aprovado no período de 2008 a 31.3.2009 Volume total aprovado 1.4. - 11.11.2009 Volume total aprovado no período de 2008 a 11.11.2009 Subvenções Participação no capital social Empréstimos em condições preferenciais Garantias Nontante total de auxílios em resposta à crise notificados em relação a 2008 Montante total dos auxílios concedidos no contexto da crise em % do PIB Propoção do sector bancário em % da economia global Valor nominal Auxílio concedido Valor nominal Auxílio concedido Valor nominal Auxílio concedido Valor nominal Auxílio concedido % % Bélgica 255 ,15 7 ,80 262 ,95 25 ,36 288 ,31   16 ,40 11,70     30 ,40 6,08 46,80 17,78 5,17 5,4 Dinamarca 585 ,44 13 ,50 598 ,94 0 ,82 599 ,75   0 ,50 0,50 2,35 2,35 0,00 0,00 2,85 2,85 1,22 5,4 Alemanha 545 ,23 20 ,00 565 ,23 23 ,90 589 ,13 8,86 11,20 11,20 23,78 3,17 137,10 27,90 180,94 51,14 2,05 3,6 Irlanda 376 ,00 5 ,00 381 ,00 7 ,50 388 ,50           355 ,76 35,58 355,76 35,58 19,16 10,9 Grécia 28 ,00   28 ,00   28 ,00                     4 ,0 Espanha 250 ,00   250 ,00   250 ,00   - -     99 ,13 0,93  99 ,13 0,93 0,09 5,1 França 341 ,25 4 ,70 345 ,95   345 ,95   11 ,50 11,50     31 ,40 4,98 42,90 16,48 0,85 4,7 Itália 20 ,00   20 ,00   20 ,00                     4 ,8 Chipre       3 ,00 3 ,00                     7 ,8 Letónia 7 ,44   7 ,44   7 ,44       0 ,96 0,96     0 ,96 0,96 4,17 6,2 Luxemburgo 7 ,00   7 ,00 0 ,26 7 ,26   2 ,50 2,50     1 ,50 0,30 4,00 2,80 7,64 29,1 Hungria   5 ,99 5 ,99 0 ,04 6 ,03                     4 ,0 Países Baixos 217 ,75 22 ,79 240 ,54   240 ,54   10 ,75 10,75 3,00 3,00 3,4 0,33 17,09 14,08 2,37 5,6 Áustria 90 ,00   90 ,00 0 ,10 90 ,10                     5 ,6 Polónia       10 ,00 10 ,00                     5 ,1 Portugal 20 ,00 0 ,45 20 ,45 4 ,00 24 ,45           4 ,30 0,43 4,30 0,43 0,26 8,2 Eslovénia 12 ,00   12 ,00   12 ,00                     4 ,3 Finlândia 50 ,00   50 ,00 4 ,00 54 ,00           0 ,12 0,00 0,12 0,00   2 ,9 Suécia 150 ,52 4 ,80 155 ,32   155 ,32   0 ,25 0,25 0,00 0,00 1,14 0,11 1,39 0,36 0,11 3,6 Reino Unido 405 ,15 11 ,25 416 ,40 95 ,77 512 ,17 5,02 46,47 46,47 2,86 0,43 146,93 16,83 201,28 68,75 3,79 7,6 Total UE-27 3360 ,92 96 ,28 3457 ,20 174 ,74 3631 ,94 13,89 99,57 94,87 32,95 9,92 811,12 93,48 957,52 212,15 1,70 -